As despedidas da vida
Pai e filho de aproximadamente 2 anos de idade andando de bicicleta na rua. Uma cena bonita de se ver. A criança em uma de suas primeiras aventuras, o pai todo satisfeito de ter o filho junto de si. Fiquei observando os dois alegremente passerarem pela rua, achei diferente porque normalmente as pessoas só andam de carro. De repente a bicicleta parou em frente ao condomínio onde moro. Mas os dois continuavam entretidos um com o outro. Pude então notar que o garotinho trazia em seu rosto uma satisfação imensa de estar com seu pai. E, o pai conversava com o garotinho dizendo que agora ele ia entrar e tomar um banho de banheira bem gostoso, e depois iria comer uma papinha de peras, hum que gostoso, dizia o pai. Fiquei ainda mais intrigada com aquele comportamento entre o pai e a criança, tão bonito, tão singelo. Pensei, agora eles vão entrar e o pai decerto irá cuidar da criança. Mas passados alguns minutos, sai para fora uma moça, e o pai logo diz ao menino, "olha a célia, ela veio te pegar". Bom, aí começou o martíro do garotinho, ele não queria entrar de jeito nenhum, com seus olhinhos cheios de lágrimas recusava-se deixar o pai. O pai por sua vez teve que dizer que voltaria logo em seguida, e que era para o menininho subir e ir tomando o seu banhinho, porque o "papai voltava depois". Aí é que entendi que o pai não morava com o menininho, e a moça que veio buscá-lo era a babá. Depois de muito esforço o garotinho consentiu em ir para o colo da babá. Vi então o abraço que o pai deu no menino, a despedida.
Quando deixamos aflorar nossa humanidade é mais fácil entender os sentimentos dos outros, e, naquele momento senti a tristeza do pai e do filho ao se afastarem um do outro.
Bem, entrei também, e quando estava na porta de um dos elevadores do condomínio pude observar o menino com os olhinhos brilhantes gritando para o pai, tchau papai, tchau papai, e de onde estava já não podia mais ver o pai, mas ele continuava gritando "tchau papai, tchau papai...
Entrei no elevador e parece que sentia a dor do menininho... as suas primeiras despedidas, a dor da separação... tão pequenino e com uma tamanha carga emocional a ser superada....
Escrito por Elvira Dias às 17h01
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